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Plutão ~ Hades
Na
Mitologia Grega e seus significados
George Ferreira Jorge e Marcia Bernardo
 





“O mito mapeia os padrões humanos universais,
e a carta natal mapeia os individuais”.
Liz Greene

O conhecimento do mito grego de Hades (Plutão) auxilia, acrescenta e enriquece a compreensão astrológica. 
Hades é filho de Cronos e Réia. Cronos, temendo ser destronado por um filho, os engolia logo que nasciam. Réia, cansada dessa situação, esconde o caçula Zeus, que retorna depois de crescido, e entrega a Cronos um líquido que faz com que vomite seus outros filhos. Zeus e seus irmãos entram em luta contra Cronos e instaura-se um novo poder. Com a vitória o mundo é repartido entre os irmãos da seguinte forma: Poseidon fica com as águas, Zeus com o Olimpo e jurisdição sobre a Terra, e Hades se torna o dono do imenso império localizado nos seios das trevas brumosas das entranhas da Terra. 
No começo era conhecido como Hades, senhor das profundezas ocultas e das coisas invisíveis. Usava um capacete, presente dos Ciclopes, que o deixava invisível. Era tão temido que os gregos evitavam pronunciar seu nome, para não lhe excitar a cólera. Não possuía lugares de culto. Suas leis eram inflexíveis, imutáveis e castigava duramente quem não respeitasse seus domínios.
O nome Hades acaba por significar a própria região inferior, o inferno, o que se encontra abaixo da superfície, o escuro e o inconsciente, o local da habitação dos deuses de baixo e dos mortos.
Com o tempo surge um nome mais suave, Plutão, que quer dizer “rico”, relacionado com o fato de ser ele o detentor das imensas riquezas das entranhas da Terra, da fonte de toda a produção mineral e vegetal, e também por possuir muitos hóspedes. Assim, ele também participa da própria criação da vida na Terra.
Seu único receio era de que Poseidon (Netuno), o sacudidor da terra, abalos sísmicos, pudesse fazer o solo se abrir e mostrar suas horríveis e tenebrosas moradas.
Muito doméstico, estava sempre no Hades de onde só saiu por duas vezes. Uma para se curar de uma flechada de Hércules, que tinha ido aos infernos para raptar Cérbero. Formou-se um ferimento bastante doloroso curado por Apolo. Outra, quando ele irrompe da Terra para raptar Coré.
Podemos dizer que não é um deus que participa das atividades sociais tão comuns entre os deuses gregos, porque vivia sempre nos seus domínios, na região do Hades, área em que os outros deuses não freqüentavam, e na qual nem mesmo Zeus tinha alguma interferência e poder. Isso lhe dá uma conotação de ser oculto, invisível, não sendo visto pelos humanos..


A Região do Hades
Tártaro, Érebo e Campos Elíseos


No mito, a entrada para o Reino do Hades, região para aonde vão os mortos, é feita por grutas, galerias subterrâneas, lagos profundos e crateras de vulcão.
A alma é conduzida para o Mundo de Baixo por Hermes Psicopompo (condutor das Almas) até a barca de Caronte. 
No ritual funerário era colocada junto ao morto uma moeda, que seria o pagamento ao barqueiro do Hades para poder ser transportado pelos quatro rios. Esse hábito era fundamental para os gregos, senão a alma rondaria sem paz.
Os rios do Hades mostram muito bem os tipos de tormentos humanos que necessitam ser expurgados, a visão do inferno que cada um tem dentro de si, um inferno particular.

Rio Estige

Estige significa ódio. Suas águas geladas têm um veneno mortal que corrói e destrói tudo, mas também podem dar imortalidade. Os deuses faziam seus juramentos por essas águas. Faz limite com o Tártaro. Esse rio simboliza tormentos que nem sempre se encontram conscientes na pessoa, quando se alimenta de ódios, criando uma agonia que a corrói por dentro.

Afluentes do Éstige

Aqueronte
Rio das Dores. Existia um rio com esse nome que sumia na terra e voltava a aparecer, formando um pântano insalubre. Eram águas paradas numa paisagem solitária.

Cocito
Rio dos Gemidos e Lamentações.

Flegetonte ou Piriflegetonte
Rio das Chamas que não se apagam, da combustão interior.

Depois de atravessar esses rios a alma passava por Cérbero, o cão de três cabeças, com cauda de dragão. Ele deixava entrar, mas não deixava ninguém sair. 

Chegando ao Campo da Verdade a alma era julgada e obrigada a confessar seus crimes ocultos. Eram três os juízes: Éaco, Radamanto e Minus, que mandavam a alma para um dos lugares abaixo:

Tártaro
Região mais inferior (inferior = inferno). A Terra está no meio entre o Céu e o Tártaro. Lugar mais profundo e escuro, dos grandes criminosos mortais e imortais. Quem ia para lá não saía mais. Eram punidos pelas Erínias (Fúrias), que habitavam essa região, filhas do sangue de Urano que caiu sobre a Terra. Essas deusas violentas, instrumentos da vingança divina eram retratadas como monstros alados, de cabelos com serpentes, com chicotes e tochas acesas nas mãos. Vingadoras do sangue parental derramado.
As Erínias eram três: 
Aleto - a que não pára, a implacável; 
Tisífone - vingadora do crime; 
Megera - grita dia e noite suas falhas, a que tem aversão. 
Representam a culpa que não sai de dentro de uma pessoa, atormentando-a sempre.
Iam para o Tártaro os que cometeram Hybris - uma transgressão grave - como é a arrogância, a falta de humildade perante os deuses, os que tentaram ultrapassar os limites do seu destino transgredindo as Leis Naturais. Eram punidos eternamente todos os que ultrapassavam seus direitos prejudicando os outros. 
É o castigo de nunca atingir o objeto de desejo, a frustração, a humilhação, os seus limites enquanto humano, como por exemplo Tântalo, que brincou e insultou os deuses, roubando-lhes o néctar e, como castigo, faminto não consegue alcançar os frutos da árvore. Sísifo, que foi condenado a levar uma pedra para o alto de uma colina e quando chega ao cume, a pedra rola para baixo, tendo sempre que recomeçar. Issião que fica amarrado a uma roda que não pára de girar. E ainda pessoas que ficam enchendo sem parar tonéis furados. É um castigo que nunca termina, e cada um tem o seu particular.

Érebo
Campo das Lágrimas. As trevas que cercam o mundo, o local de provas, o purgatório. De acordo com seu comportamento, alguns iriam para o Tártaro, de onde não sairiam mais, ou para os Campos Elísios para reencarnar.

Campos Elíseos
O paraíso com festas e banquetes. Reservado para os que já passaram por uma série de provas e purgações e que, após 1.000 anos libertando-se das impurezas materiais, são levados às margens do rio Lete, para reencarnar. Lete significa esquecimento. Para poder reencarnar é preciso esquecer-se do passado, da estadia nas regiões infernais, dos sofrimentos e dos tormentos. Esse é o único rio que se atravessa para retornar.

Após conhecer a região do Hades chegamos ao mito de Coré ~ Perséfone e a relação de Plutão com os ciclos da natureza.

O Rapto de Coré

Coré, que quer dizer grão, era uma menina feliz e ingênua, filha de Zeus e Deméter, mãe dos grãos e deusa da terra cultivada. 
Num dia, passeando com as ninfas, ao colher uma flor, o Narciso , a terra se abre e Plutão surge numa carruagem com cavalos negros. Rapta Coré e a leva para o Hades, onde a estupra. 
Vale lembrar que Plutão é seu tio, tornando esse fato um grave assunto familiar.
Deméter se desespera com a ausência da filha, sai à sua procura e depois, desanimada, senta-se à beira de um poço em Elêusis. As pessoas vão até ela e tentam consolá-la, mas não conseguem. Uma pequena criatura começa a dançar e fazer gestos obscenos. A deusa começa a rir e então sai daquele estado triste. A obscenidade e o riso fazem mudar a perspectiva. 
Procurando informações sobre o paradeiro de sua filha, Deméter pergunta a Hécate, que não viu o que havia acontecido, mas ouviu os gritos da menina. Já Hélios, o deus que tudo vê, conta a ela sobre o rapto.
Furiosa com os deuses se retira deixando a terra seca, improdutiva e sem sementes. Esse fato ocasiona problemas com os humanos, que começam a morrer. Os deuses temem ficar sem os seus cultos e fazem um acordo: fica decretado que Coré ficaria 3 meses no Hades e 9 meses na terra com a mãe.
Antes de deixar o Hades, Plutão a faz comer uma semente de romã, o que a impediria de deixar para sempre os seus domínios. Esse fruto é símbolo da fecundidade, tem muitas sementes e o seu suco é utilizado para curar a esterilidade. 
Essa foi uma artimanha de Plutão, pois quem come e se senta no Hades não pode sair. Aqui o mito nos revela uma relação de intimidade e amizade, pois o comer prende a terra pelo poder de fixação dos alimentos.

Outra correspondência astrológica com alimentação e sexualidade é o eixo Touro/Escorpião. 
Estamos frente à perda da inocência. O Casamento de Coré com Plutão significa a morte, o abandono de um estado da vida para um outro, pois retorna mudada, como Perséfone, a portadora da destruição. Enquanto Coré tende à luz, Perséfone tende à escuridão.
Coré é a virgem, a semente não germinada. Perséfone é a mulher que já passou pelo processo da transformação, o reconhecimento da mortalidade e da imortalidade. 
Esse mito mostra imagens agrícolas que traduzem uma mensagem espiritual, a de que a vida vem da escuridão e das profundezas. O ciclo do nascer e morrer.
Deméter é a deusa da terra em que brotam as plantas, Perséfone é a deusa das terras profundas.
Os cultos eram associados ao ciclo da morte, análogo ao das sementes. O Tártaro é o oposto da luz, e a idéia de que a vida vem da escuridão é constante nos mitos.

O plantio é feito no outono, no tempo em que Perséfone está no Hades, e a colheita na Primavera, quando ela retorna a Terra para ficar com sua mãe. 
Os cereais eram colocados em silos subterrâneos no auge do verão para serem replantados no outono. Plutão era o guardião do alimento, das riquezas da comunidade guardadas nas profundezas da terra. Há uma imagem de um sarcófago romano com Deméter entregando os grãos à Plutão.
No mito quando Plutão surge e vem à superfície (consciência), marca uma violação, pois somos como mocinhas ingênuas, impotentes para resistir. Ele aparece como uma intromissão, algo que não pedimos e que, a princípio, não queremos, mas que depois percebemos como necessário para o nosso desenvolvimento. 
No mapa astrológico a localização de Plutão mostra uma área que está abaixo da superfície e da consciência, por isso a vontade consciente não tem comando. Isso gera uma sensação de impotência tornando a região infernal.

Plutão está associado a vulcões, que são acúmulos que vão fermentando com o tempo, até que algo, aparentemente bobo, como colher uma flor, desencadeia um tormento em nossas vidas. 
Expurga ódios, raivas, medos, ciúmes, todo um lado que tentamos não revelar. 
Também representa novas perspectivas, descobertas de recursos íntimos, mas para isso temos que perder a inocência, morrer e pagar o preço, como a moeda para Caronte. A morte acaba com qualquer orgulho.
Plutão é o símbolo das trevas interiores, ligadas à noite original da alma, as camadas mais antigas da psiquê. Jung dizia que o homem civilizado ainda tem atrás de si a cauda de um sáurio, e é desse rabo que trata Plutão, por isso suas regras são outras, nada racionais e bem educadas. 
Como governa tudo o que está abaixo da superfície e da consciência, envolve questões muito bem guardadas como os recalques.
Como bem coloca Liz Greene, “o inferno é o estado da psique que, em sua luta, sucumbiu aos monstros, seja por tentar recalcá-los no inconsciente, seja porque aceitou identificar-se com eles numa perversão consciente”. 
É quando a sua vontade não surte efeito, contaminada por paixões, iras e obsessões.

A paixão de Plutão é auto-suficiente e de uma coragem quase ilimitada.
Todo esse processo pode ser resumido nas palavras de Cristo: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto”.(Jô 12,24).

Ainda segundo Liz Greene, “é particularmente difícil lidar com Plutão, a menos que se tenha alguma confiança no destino. Mas, como se pode confiar nele, a não ser que se tenha passado algum tempo pelo desespero, pela escuridão, raiva, impotência, descobrindo o que mantém a vida quando o ego já não tem mais condições de fazer suas escolhas habituais?” 

* Texto extraído do CBA nº 06 • Astrologia Kármica • De volta ao passado, desenhando seu futuro • Nadia Oliveira • Março/2006

Marcia Bernardo
Nascida em Santos, fez faculdade de História (USP) e começou a estudar Astrologia em 1988. Em 1990 começou a dar aula e a trabalhar também em atendimentos astrológicos. Lecionou Astrologia no Sesc-Santos, é sócia-proprietária da Escola Santista de Astrologia, criada em 1997. Estudiosa, pesquisadora, professora, com textos publicados em jornais e revistas, trabalha com atendimentos em astrologia, palestrante em congressos e seminários. Inúmeras participações em televisão e rádio. Tradutora do livro “Minha Vida Perante os Astros”, de J.B.Morin de Villefranche, editado pelo Espaço do Céu Centro de Astrologia Ltda, R.J.

George Ferreira Jorge
Jornalista, Publicitário, Astrólogo e pesquisador há 20 anos, lecionou Astrologia em diversos níveis no Sesc-Santos durante 15 anos. Sócio-proprietário da Escola Santista de Astrologia. Especializações: Interpretação na linha tradicional e racional de Jean Baptiste Morin, Sinastria, Médica, Kármica, Previsões, Eletiva, Mundial, Empresarial. Cursou diversos Seminários de Mitologia Grega com Junito de Souza Brandão e Cid Marcus Vasques, além de Seminários de Psicologia e Psicanálise. Membro da ABA (Associação Brasileira de Astrologia) e do SAESP (Sindicato dos Astrólogos do Estado de SP). 

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